Vídeos de empresas feitos totalmente por IA: tendência ou só hype?

Equipe ImagemGO

Com comerciais criados sem câmeras, personagens virtuais e campanhas produzidas com inteligência artificial generativa, o mercado audiovisual está mudando

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Imagine produzir um vídeo publicitário sem montar um set de gravação, contratar atores, deslocar uma equipe ou filmar em uma locação. Em vez disso, cenários, personagens, falas, movimentos e até a trilha sonora são criados com inteligência artificial.

O que há alguns anos parecia experimental já começou a aparecer nas campanhas de grandes marcas. No Brasil, empresas como GWM e Nestlé estão explorando a geração de vídeos por IA, enquanto outros projetos têm provocado discussões sobre autenticidade, criatividade e os limites da tecnologia.

Mas será que estamos diante de uma nova forma de produzir vídeos ou de uma tendência que chama mais atenção pela novidade do que pelos resultados?

A resposta passa por entender como essas produções funcionam, o que já é possível fazer e, principalmente, quais objetivos uma empresa pretende alcançar com o audiovisual.

O vídeo feito 100% por IA já é realidade?

Sim. Em 2026, o mercado brasileiro já apresenta exemplos de campanhas publicitárias produzidas integralmente com inteligência artificial generativa.

Ferramentas como Google Veo permitem gerar cenas a partir de instruções em texto e imagens de referência, com recursos que incluem movimento, diálogos e áudio. Outras soluções ajudam a criar imagens, desenvolver conceitos visuais, animar elementos e produzir diferentes versões de uma mesma peça.

Isso permite explorar ideias que, em uma produção tradicional, poderiam exigir cenários complexos, efeitos visuais, viagens ou estruturas de gravação mais elaboradas.

É importante, porém, fazer uma distinção: um vídeo pode ser gerado integralmente por IA sem que o trabalho de produção seja totalmente automatizado.

Mesmo quando nenhuma câmera é utilizada, ainda podem existir profissionais responsáveis por roteiro, direção de arte, seleção de personagens, geração de cenas, ajustes, edição, trilha sonora, controle de qualidade e aprovação final.

Ou seja, a tecnologia pode criar as imagens, mas ainda existe um processo criativo e técnico para transformar essas imagens em uma peça de comunicação.

3 exemplos recentes de vídeos feitos com IA

Para entender melhor o momento atual, vale olhar para campanhas que saíram do campo dos testes e chegaram à comunicação de marcas e instituições.

1. GWM: um comercial automotivo criado integralmente com IA

Em janeiro de 2026, a GWM lançou o que a empresa apresentou como o primeiro comercial automotivo do Brasil produzido 100% com inteligência artificial. O filme foi desenvolvido para o SUV Haval H6, em parceria com a Jellyfish e utilizando a tecnologia Veo 3, do Google.

A proposta não era apenas demonstrar o potencial tecnológico da ferramenta. O comercial conta uma história sobre a relação entre pai e filha, usando a passagem do tempo e as transformações da vida para conectar a narrativa ao conceito do veículo.

Assista ao comercial: GWM Haval H6 — vídeo oficial e informações da produção.

Os números divulgados pela empresa ajudam a entender o trabalho envolvido:

  • 37 profissionais participaram do processo;
  • mais de 700 horas de trabalho foram dedicadas à produção;
  • 2.076 cenas foram geradas;
  • 37 cenas foram selecionadas para compor o filme final;
  • o desenvolvimento levou 56 dias.

Os dados mostram um ponto importante: produzir com IA não significa necessariamente apertar um botão e receber um comercial pronto. Nesse caso, milhares de cenas precisaram ser geradas para que a equipe pudesse selecionar as que funcionavam melhor na narrativa.

O exemplo também revela uma possibilidade interessante para as marcas: criar ambientes, personagens e situações que seriam difíceis de reproduzir fisicamente, sem abrir mão de uma história com intenção definida.

2. Nestlé: IA na campanha de Nescau Cookie Cereal

Em maio de 2026, a Nestlé lançou uma campanha digital para Nescau Cookie Cereal desenvolvida com recursos de inteligência artificial generativa, em parceria com o Google.

O projeto utilizou o Veo 3 para geração de vídeo, o Gemini para refinamento da direção de arte e da qualidade visual e o Nano Banana para ampliar a produção de peças. A campanha explorou situações relacionadas ao café da manhã, à rotina familiar e ao esporte.

A iniciativa foi apresentada como um passo da empresa para incorporar IA ao processo criativo e ampliar a quantidade de conteúdos que poderiam ser produzidos para diferentes formatos.

Conheça o caso: Forbes — Nestlé estreia campanha com IA generativa.

Um detalhe merece atenção: a campanha foi identificada como produzida com apoio de IA, seguindo a política interna da marca. Segundo os representantes da Nestlé ouvidos pela Forbes, o projeto também teve uma função de aprendizado, ajudando a empresa a entender como integrar essas ferramentas aos processos de criação.

Esse caso mostra que a discussão não se limita a substituir uma filmagem. A IA também permite testar conceitos, desenvolver variações e ampliar o volume de materiais disponíveis para a comunicação digital.

3. Prefeitura de Ulianópolis: quando o uso de IA gera críticas

Nem toda produção feita com IA é recebida da mesma maneira.

Em junho de 2025, um vídeo de divulgação das festas juninas publicado pela Prefeitura de Ulianópolis, no Pará, provocou críticas nas redes sociais. A repercussão envolveu o uso de imagens geradas por inteligência artificial sem a identificação do conteúdo como produzido com essa tecnologia.

O episódio foi noticiado pela CNN Brasil.

O caso é relevante porque mostra que a qualidade visual não é o único fator considerado pelo público. A forma como a tecnologia é utilizada, a transparência sobre sua participação e a relação entre o conteúdo e a realidade representada também podem influenciar a recepção.

Para empresas, isso significa que a decisão de usar IA precisa considerar não apenas o que é tecnicamente possível, mas também como o público pode interpretar a produção.

Por que tantas empresas estão testando vídeos feitos por IA?

A adoção da inteligência artificial na produção audiovisual está relacionada a diferentes fatores. Entre eles estão a possibilidade de explorar novas linguagens, acelerar determinadas etapas e ampliar a variedade de conteúdos disponíveis.

1. Criar cenas que seriam difíceis de filmar

Imagine uma empresa que deseja mostrar uma cidade futurista, uma fábrica imaginária ou um produto em um ambiente que não existe.

Em uma produção tradicional, essas cenas poderiam exigir construção de cenários, efeitos visuais, animação ou computação gráfica. Com IA generativa, algumas dessas possibilidades podem ser exploradas de outra maneira.

Isso abre espaço para conceitos visuais mais ousados e para projetos em que a imaginação é uma parte importante da mensagem.

2. Produzir diferentes versões de uma campanha

Uma marca pode precisar de vídeos com durações, formatos e abordagens diferentes para cada canal.

A IA pode ajudar a gerar variações de cenários, elementos visuais e materiais de apoio, facilitando a criação de diferentes versões de uma campanha.

O benefício depende do projeto: não significa que toda adaptação será automática, nem que todas as versões terão a mesma qualidade sem revisão.

3. Acelerar etapas específicas

A inteligência artificial já pode contribuir com atividades como geração de imagens de referência, criação de storyboards, transcrição, legendagem, tratamento de áudio, remoção de elementos e elaboração de animações.

Em alguns fluxos de trabalho, isso reduz o tempo dedicado a tarefas operacionais e permite que a equipe concentre mais atenção nas decisões criativas e na finalização.

4. Explorar ideias antes de investir em uma produção completa

Uma empresa pode utilizar imagens e vídeos gerados por IA para testar uma proposta visual, apresentar uma ideia ou visualizar possibilidades antes de aprovar uma produção de maior porte.

Nesse cenário, a tecnologia funciona como uma ferramenta de experimentação. Ela ajuda a tornar conceitos mais concretos e pode facilitar o alinhamento entre equipes, clientes e profissionais de criação.

Mas vídeo feito por IA é realmente mais barato?

Essa é uma das perguntas mais importantes — e a resposta não é simplesmente sim.

A IA pode reduzir a necessidade de algumas estruturas físicas, deslocamentos, locações e etapas de gravação. Dependendo da proposta, isso pode representar economia de tempo e dinheiro.

Por outro lado, projetos complexos podem exigir muitas tentativas, geração de um grande volume de cenas, ferramentas especializadas, profissionais experientes e bastante trabalho de pós-produção.

O caso da GWM ilustra essa diferença: foram divulgadas mais de 700 horas de trabalho e milhares de cenas geradas até chegar à versão final.

Por isso, comparar o custo de um vídeo feito por IA com o de uma produção tradicional exige considerar o resultado esperado, a complexidade, o prazo, os direitos de uso e o volume de ajustes necessários.

O custo não depende apenas da ferramenta utilizada, mas do trabalho necessário para chegar ao resultado.

Para algumas empresas, a IA pode ser a solução mais adequada. Para outras, gravar pessoas reais, produtos e ambientes pode ser mais eficiente e produzir um resultado mais alinhado aos objetivos da comunicação.

O que a IA ainda não resolve sozinha?

Mesmo com a evolução das ferramentas, gerar imagens é apenas uma parte do processo audiovisual.

Estratégia e objetivo

Antes de produzir, é preciso entender o que a empresa quer comunicar, para quem e com qual finalidade. A tecnologia pode gerar uma cena, mas não define sozinha qual mensagem faz sentido para aquela marca.

Narrativa e direção

Uma sequência de imagens visualmente impressionantes não garante uma boa história. É necessário construir uma narrativa, estabelecer ritmo, selecionar cenas e conduzir a atenção de quem assiste.

Consistência visual

Manter personagens, produtos, ambientes e movimentos coerentes ao longo de diferentes cenas pode exigir várias tentativas e correções. Pequenas inconsistências podem comprometer a credibilidade do resultado.

Autenticidade

Um vídeo gerado por IA pode representar situações convincentes, mas não substitui o registro de uma experiência que realmente aconteceu.

Se a intenção é mostrar a equipe de uma empresa, registrar um evento, apresentar uma estrutura ou captar o depoimento verdadeiro de um cliente, a gravação real tem uma função específica: documentar pessoas, lugares e acontecimentos concretos.

Revisão e responsabilidade

A produção precisa passar por uma avaliação cuidadosa para verificar informações, qualidade visual, áudio, direitos de uso, adequação à marca e possíveis problemas de representação.

A IA pode participar de muitas etapas, mas isso não elimina a responsabilidade de quem publica o conteúdo.

Vídeo feito por IA ou produção audiovisual tradicional: qual escolher?

Não existe uma resposta única. A escolha depende do objetivo, da mensagem, do público e do tipo de material que a empresa precisa produzir.

A IA pode ser uma boa opção quando:

  • o projeto exige cenários ou situações difíceis de filmar;
  • a proposta depende de elementos visuais imaginários;
  • é necessário explorar diferentes conceitos criativos;
  • a empresa precisa de variações de materiais digitais;
  • determinadas etapas podem ser aceleradas com ferramentas generativas.

A gravação tradicional pode fazer mais sentido quando:

  • é importante mostrar a estrutura real da empresa;
  • o vídeo precisa apresentar pessoas e profissionais da equipe;
  • a comunicação depende de depoimentos autênticos;
  • o objetivo é registrar eventos e experiências presenciais;
  • a marca precisa demonstrar processos, produtos ou resultados concretos.

Também existe um terceiro caminho: combinar as duas abordagens.

Uma produção pode utilizar imagens reais e recorrer à IA para criar animações, desenvolver elementos gráficos, ampliar cenários ou construir sequências que complementem a narrativa.

Essa combinação permite aproveitar o que cada método oferece, sem tratar a tecnologia como uma solução obrigatória para todos os projetos.

O que essa tendência significa para as produtoras audiovisuais?

O avanço da IA muda ferramentas, processos e possibilidades criativas. Isso exige que as produtoras acompanhem a evolução tecnológica e avaliem onde ela pode contribuir para o trabalho.

Mas a mudança não elimina a importância do planejamento, da direção, da narrativa e do olhar técnico.

Na prática, o diferencial não está apenas em saber gerar um vídeo. Está em entender o que precisa ser produzido, escolher a abordagem adequada e conduzir todas as etapas até a entrega de um material consistente.

Para a ImagemGo, essa discussão faz parte de uma transformação mais ampla do audiovisual: novas ferramentas ampliam o que é possível fazer, enquanto o conhecimento de produção ajuda a decidir como e quando utilizá-las.

A IA pode acelerar tarefas, facilitar experimentações e abrir novos caminhos visuais. A experiência humana continua sendo importante para transformar essas possibilidades em uma comunicação que faça sentido para o público e para a marca.

Afinal, vídeos de empresas feitos totalmente por IA são tendência ou só hype?

Os exemplos brasileiros mostram que não se trata apenas de uma promessa distante. Marcas já estão utilizando a tecnologia em campanhas reais, explorando novas formas de criar e ampliando suas possibilidades de produção.

Ao mesmo tempo, a repercussão de alguns projetos demonstra que novidade tecnológica não garante aceitação, qualidade ou resultado. A escolha criativa, a transparência e a adequação à mensagem continuam sendo importantes.

Por isso, talvez a pergunta mais útil não seja se toda empresa deveria produzir vídeos com IA, mas como essa tecnologia pode contribuir para cada objetivo de comunicação.

Em alguns projetos, ela poderá assumir uma parte central da produção. Em outros, será uma ferramenta de apoio. E haverá situações em que filmar pessoas, produtos e acontecimentos reais continuará sendo o caminho mais adequado.

O futuro do audiovisual não depende de escolher entre inteligência artificial e produção profissional. Depende de saber combinar recursos, conhecimento e criatividade para produzir o conteúdo certo para cada necessidade.

Sua empresa está planejando um novo vídeo?

Na ImagemGo, cada projeto começa pela compreensão do que precisa ser comunicado e de como o audiovisual pode contribuir para esse objetivo. A escolha das ferramentas e do formato vem a partir dessa necessidade.

Fale com a ImagemGo e descubra a melhor abordagem para o seu próximo projeto audiovisual.

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